Currículo ou Portfolio?

O que as empresas valorizam mais: currículo ou portfolio? Dependendo da sua área, um dos dois pode ser decisivo!

Já participei de muitas seleções de candidatos para vagas da 2nd, e por lá sempre pedíamos os dois: currículo e portfolio. Mas uma coisa é certa: em vagas de design o portfolio é muito mais valorizado, e em vagas de programação é o currículo. Os dois são analisados, mas o que você acha que irá ser decisivo para apresentar seu trabalho: currículo ou portfolio?

Se você levar em consideração que seu currículo é a teoria e o portfolio é a prática, o mais óbvio é que um deve complementar o outro – de certa forma isso é verdade. Porém, como exemplifiquei acima, em algumas áreas um é, de fato, mais decisivo que o outro. E nem estamos considerando a entrevista de emprego, que normalmente tem um peso ainda maior na decisão final, visto que o entrevistador irá tirar todas as dúvidas e ver se você é ~tudo isso~ mesmo – fora as empresas que fazem testes e dinâmicas de grupo.

Mas vamos focar apenas nos dois: currículo e no portfolio.

Currículo: a teoria

currículo
Currículo ou Portfolio? Vamos falar sobre o currículo…

Aqui a empresa vai ficar sabendo quem é você, por onde você passou, o que você sabe fazer e o que você faz.

Os problemas

Muita gente mente bastante em currículos, muitas vezes colocando experiência a mais na esperança de conseguir o emprego e, se der certo, correr atrás para aprender essa “experiência a mais” e não perder o emprego. Já vi muita gente não durando mais de 3 meses na empresa por causa disso.

Por outro lado, você pode ser formado em uma ótima escola de design e ter conhecimento avançado em softwares gráficos, o que é excelente… mas um designer não é bom porque ele tem uma formação bacana e sabe mexer em ferramentas, e só é possível saber se ele é bom mesmo vendo seus trabalhos – o que não pode ser visto no currículo, que é totalmente textual.

As vantagens

Você passa toda a sua experiência de forma bem resumida, e dependendo de como for essa experiência, mesmo você sabendo menos do que é necessário para preencher a vaga, os pontos positivos podem pesar a seu favor e a empresa te dará a chance de aprender o que falta trabalhando no local. Por isso, ao invés de mentir, o ideal é explorar suas qualidades pra mostrar que você tem a somar.

A não ser que seja uma vaga temporária, as empresas buscam por profissionais estáveis. Então, se o candidato passou em 5 empresas diferentes nos últimos 2 anos, não significa que ele tem uma ótima experiência na área – significa que ele não fica mais de 6 meses em um único emprego, então não vale a pena contratar alguém que irá deixar você na mão lá na frente.

Portfolio: a prática

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Currículo ou Portfolio? Hora de falarmos sobre o portfolio… (imagem: Scott Kellum)

Aqui a empresa fica sabendo como é seu trabalho, seu estilo, seus conceitos, técnicas e tudo mais.

Os problemas

Assim como tem gente que mente no currículo, tem gente que mente no portfolio. Por exemplo, três pessoas participaram de um trabalho em equipe na criação de um site – uma criou o logo e a identidade visual, outra criou o site em si e a outra ajudou na escolha das imagens, da tipografia, das cores… enfim, foi um assistente. Os três podem sim colocar esse trabalho em seu portfolio, mas devem especificar o que cada um fez. O que acaba acontecendo? O assistente não explica o que ele fez, e fica parecendo que a criação toda foi um trabalho dele. Daí a empresa o contrata e em 2 meses ele já está sendo demitido por não mostrar na prática o trabalho que estava em seu portfolio.

Todo mundo já teve algum cliente chato – ou vários. E isso pode ser bem ruim para seu portfolio. Imagine que você fez um trabalho perfeito – fruto de anos de estudo e experiência até você se tornar um profissional – e, ao apresentar o trabalho para o cliente, ele pede uma série de mudanças e nenhuma defesa que você faça é o bastante para convencê-lo do contrário. Aí, o trabalho final acaba sendo bem inferior àquele que você propôs, e você tem a seguinte dúvida: “coloco no portfolio o que eu propus (o que pode soar como arrogante) ou o que foi aprovado (o que pode passar a imagem que você não é um bom designer)?”

As vantagens

Você pode ter experiência mínima em softwares e não ter cursado nada, muitas vezes por falta de grana ou de tempo – ou seja, aprendeu tudo sozinho. Isso em seu currículo seria bem ruim e geraria dúvidas, mas aí seu portfolio vai lá e mostra que você fez mesmo sua lição de casa e faz trabalhos muito bons.

No caso de ilustradores, por exemplo, eventualmente a empresa está buscando por um estilo, por um traço em específico, o que é impossível de se perceber pelo currículo. Através do portfolio esse tipo de seleção acaba sendo bem mais precisa, poupando frustrações.

Currículo ou Portfolio?

currículo ou portfolio
Curriculo + Portfolio!

Os dois! Isso era óbvio desde o começo, mas o intuito do texto foi colocá-los lado a lado para você perceber que não é que um é mais relevante que o outro ou ambos têm o mesmo peso: é você que precisa saber explorar suas qualidades para amenizar suas fraquezas e gerar mais oportunidades. Seu currículo pode ser fraco, mas seu portfolio pode ser invejável e vice-versa – muitas vezes um mero detalhe irá convencer a empresa de que você é a pessoa certa para a vaga mesmo tendo experiência a menos. Já passei por isso das duas formas (como entrevistado e como entrevistador).

É claro, tem áreas que não pedem por portfolio (um desenvolvedor Java, por exemplo, dificilmente teria um portfolio), assim como tem empregadores que não pedem por currículo (um designer de interiores normalmente leva apenas seu portfolio para seus clientes verem). Aí cabe a você a, ainda assim, realçar seu potencial e se mostrar disposto a aprender, a se adaptar para suprir as necessidades daquela empresa ou cliente.

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Comentários

2 comentários até o momento

  • Ótimo artigo, me tirou muitas dúvidas. Entretanto, ficaram duas. Desde já peço desculpas caso esta aba de comentários não seja para este fim. Dando continuidade… Para alguém que quer ser programador web front-end (ou full stack), graduações em cursos online (como a Udacity por exemplo), pesam no currículo na hora da contratação? Vale a pena ficar 4 anos cursando Ciência da Computação (que abrange várias áreas de atuação, inclusive desenvolvimento web), ou dedicar 4 anos para se formar nos cursos web front-end da Udacity por exemplo (que totalizam 9 meses de cursos no total), ganhar experiência no mercado de trabalho, enquanto estuda para aprimorar as técnicas, aprender novas linguagens etc?

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    • Matheus, eu sou suspeito a falar porque sempre trabalhei na área sem ter diploma e isso nunca foi um empecilho pra oportunidades. Também já ajudei a contratar alguns profissionais em uma agência onde trabalhei e diploma não era pré-requisito, a gente só olhava portfolio e experiência (aprendizado e outros empregos).

      Eu focaria em cursos e prática.

      Responder

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