Quero um site, mas…

Quero um site, mas... não tenho a verba! Saiba mais sobre os tipos de parceria em busca de um site grátis: permutas, indicações, visibilidade...

Continuando de onde paramos, no texto Site grátis?, vamos parar pra pensar um pouco em como seria a parceria ideal entre empresário e prestador de serviços. Lembrando que o que estamos analisando é a vantagem de se ter uma parceria como “Quero um site, mas não tenho verba! Se você fizer meu site de graça, te indicarei a alguns clientes!” & afins, e pensando nisso achei válido ilustrar outros tipos de situação.

Afinal, há muitos outros cenários onde o trabalho sem remuneração faz mais (ou menos ainda) sentido. E não estamos falando só sobre dinheiro, apesar de ele ser o principal motivo de trabalharmos: é ele quem paga nossas contas, nossos funcionários e garante o nosso crescimento (qual freelancer nunca cogitou em ter uma agência, afinal?). A parceria que citamos aqui é mais que uma troca de favores, é uma troca de valores: os dois lados querem subir um degráu. Quando apenas um sobe, algo não está justo.

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Esperanças x Realidade

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Quero um site… vamos ser parceiros? (foto: Corbis)

Vamos, então, analisar alguns pedidos de “parceria” não-remunerada. Em destaque cito a situação, e logo abaixo dou meu argumento.

Esse serviço te trará visibilidade!

Todos os serviços que um profissional faz buscam por visibilidade, pois é com visibilidade que se alcança novos clientes. E nada garante que um site que terá 200 milhões de acessos por mês traga mais visibilidade do que um blog que tem 200 visitas por mês.

Te indicarei para meus melhores clientes e amigos.

Uma indicação sincera tem muito, mas muito mais valor que uma indicação “comprada”. Podemos até citar o exemplo da parceria que não deu certo – você teria coragem de indicar alguém que foi abaixo das expectativas, seja lá qual foi o problema, para pessoas que confiam em você? Por fim, novamente: um profissional sempre visa prestar o melhor tipo de serviço, porque sabe que assim os clientes o indicarão para novos clientes e assim sucessivamente.

Ou seja: A indicação é algo completamente natural e não pode ser usada como “moeda de troca”. Quando você indica algo, você precisa ser sincero, porque não é só o indicado que vai ganhar com a indicação: quem disse “Quero um site, tem alguém pra indicar?” e recebeu sua indicação confia em você.

Eu ponho um banner seu em meu site/blog!

Como eu disse acima, nada garante que um site com milhões de acessos por mês traga mais visibilidade do que um blog 10 vezes menor. Isso depende de vários fatores. Fora que normalmente quem oferece esse tipo de parceria acaba inserindo um volume enorme de banners no site/blog, e chega uma hora em que o banner do profissional é só mais uma imagem no meio das outras – daí o usuário acaba se perdendo naquilo e acha que seu banner é de um blog parceiro como todos os outros, ou então de algum sistema de afiliados.

A divulgação do trabalho de um Web Designer, assim como a divulgação de qualquer tipo de trabalho, precisa ser feita de maneira estratégica. Pra gente não é vantajoso ter o site com muitas visitas se o perfil de visitantes não é do tipo que contrataria nossos serviços.

Por fim, normalmente assinamos o trabalho no rodapé do projeto, e é lá que todos os que se interessariam em pedir um orçamento para quem fez tal site/blog vai buscar pelo contato. Ou seja, um link lá no rodapé pode acabar valendo mais do que um banner: dá menos acessos, mas quem clicou sabe o que quer.

Você será meu principal parceiro/fornecedor nessa área: todos os meus clientes que precisarem de um serviço assim serão encaminhados para você, e negociaremos uma comissão pela minha indicação caso a caso para ser justo para ambas as partes.

Mas é justo eu prestar o serviço gratuitamente para você sendo que, futuramente, você receberá uma fatia do meu faturamento em cima dos clientes que você irá me indicar? Afinal, por um lado, enquanto eu estou fazendo o serviço de graça, você estará ganhando sem precisar prestar um serviço.

É claro, eu valorizo bastante quem traz novos serviços pra mim, mas então sejamos justos de verdade: Enquanto eu terei que receber abaixo do que eu estou acostumado a receber, suas comissões pagariam o serviço que você me solicitou inicialmente. Ou seja, nesse caso, seria mais do que justo remunerar o profissional desde o começo, mesmo que você não tenha toda a verba no momento: a parceria entre vocês dois trará essa verba de volta.

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Imagina ter um site e poder mostrar sua empresa ao mundo inteiro. (foto: Corbis)

É muito importante ter uma marca como a minha em seu portfolio.

Não sei se é ingenuidade, mas vendo por esse lado, toda vez que alguma empresa grande me pedisse um serviço eu teria que fazê-lo de graça para tê-lo em meu portfolio.

Quero um site, mas esse serviço será um teste. Se você for aprovado, te enviaremos novos trabalhos.

É um teste para ambas as partes, sem saber se haverá aprovação ou não, certo? Pois bem: Não deixa de ser um trabalho para o profissional, portanto deve ser remunerado. Isso é pura ética e profissionalismo, principalmente quando o profissional em questão tem um portfolio – a função de um portfolio é mostrar os trabalhos feitos.

Vamos fazer uma permuta!

Talvez seja o único tipo de parceria que pode trazer algum tipo de vantagem, mas deve ser analisado com muito cuidado.

Por exemplo, há aquele tipo de permuta em que o empresário oferece o valor do serviço em produtos que ele vende. Vamos supor que o profissional orçou o serviço em R$ 10.000,00 – são R$ 10.000,00 em produtos. Só que esses produtos, no mercado, custam R$ 2.000,00, mas os gastos reais que a empresa tem com eles é de R$ 580,00. Ou seja, se tais produtos forem vantajosos para o prestador de serviços, eles devem ser oferecidos pelo preço de custo, e não de mercado. Justo?

O problema da permuta é que, mesmo sem querer, alguém acaba saindo por cima. De qualquer um dos dois lados: ao mesmo tempo em que o contratante pode se aproveitar da situação e oferecer os produtos num valor injusto, o contratado pode orçar um valor muito superior do que ele orçaria normalmente. Aí vem a confiança, e se o contratado ou o contratante conseguem ter confiança entre si, nem devem começar o trabalho.

ONGS, instituições filantrópicas etc…

Aqui vai da ideologia e da disponibilidade de cada um. Eu não sou contra fazer serviços de graça para instituições sem fins lucrativos, desde que a honestidade esteja em evidência. Mas é fato que o tempo pode contribuir, e muito, para a decisão final – afinal, se você tiver que optar entre um “Quero um site” remunerado e esse projeto, provavelmente vai escolher o “Quero um site” que te garanta a remuneração.

Eu acho que esse tipo de trabalho valoriza bastante o profissional. Pode não trazer visibilidade ou coisa do tipo, mas é o de menos: isso é estar empenhado em ajudar uma causa. Já ouvi falar de médicos que cobram US$ 10 mil por cirurgia, mas pegam um dia toda semana pra atender gratuitamente a pacientes que não tem condições de pagar tudo isso.

Ainda quero um site!

quero um site

Ao trabalho! (foto: Corbis)

Trabalho não é só dinheiro. Talvez os dois lados (prestador de serviços e empresário) acabam ficando muito presos a essa ideia (o prestador não quer deixar de receber seu dinheiro, e o empresário não entende como alguém pode recusar a oportunidade que ele está oferecendo), o que destrói centenas de oportunidades.

Mas quando os dois lados estão juntos à favor de uma causa, pensando um no outro, aí podemos sentir que uma parceria real está sendo feita. E é justamente sobre a parceria ideal que eu vou falar no próximo e último texto, Site de graça custa caro. Para os dois lados. E caso você ainda não tenha lido, leia o post Site grátis?, o primeiro da série de três textos.

Você já trabalhou de graça? Como foi?