“Vermelho, a cor da Raça” e a camisa comemorativa do SPFC

Com novas arquibancadas no Morumbi, o São Paulo Futebol Clube jogou com sua camisa comemorativa na cor vermelha com a campanha "Vermelho, a cor da Raça".

vermelho a cor da raça

(Créditos: Globoesporte)

Hoje, em comemoração às novas arquibancadas do Morumbi – todas vermelhas -, o São Paulo Futebol Clube apresentou sua camisa comemorativa com a campanha “Vermelho, a cor da Raça”, o que causou polêmica por dois motivos: Primeiramente, fere o estatuto do clube, que permite apenas dois tipos de uniforme com um padrão de identidade visual. Segundamente, a opinião de boa parte dos torcedores é das piores.

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De fato, assistindo ao jogo pela TV, a impressão é de que os jogadores estavam usando uma camisa vermelha semi-transparente por cima da camisa branca. E conforme os jogadores suaram, o brasão do time ficou completamente borrado.

Não vou focar nos termos “feio” e “bonito”, mas sim nos termos “conceito” e “marketing“.

Vermelho, a cor da Raça…?

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Acredito que o conceito está bem bacana. Todas as peças de divulgação para o jogo de hoje, contra o Penapolense, pelo Campeonato Paulista, usaram a mesma identidade visual: as imagens continham um filtro vermelho – justamente o que acontece na camisa, que só tem um detalhe não-vermelho à mostra (o contorno dos números, talvez para não prejudicar a transmissão do jogo).

uniforme vermelho spfc

Agora, em relação ao marketing… primeiramente, gerou-se uma grande expectativa para uma partida contra um time de pouca tradição como o Penapolense, num campeonato tão defasado como o Campeonato Paulista. Isso é um ponto positivo. Quanto aos patrocinadores, eles foram quase que totalmente camuflados. Por um lado, isso é ótimo para o torcedor, que terá uma camisa menos poluída por conta dos patrocinadores; por outro lado, evidentemente os patrocinadores perdem parte da visibilidade e têm sua identidade visual modificada, mas, num contexto geral, ver os patrocinadores topando esse tipo de interferência é sentir que eles estão verdadeiramente envolvidos com o time. Mais um ponto positivo.

osvaldo são paulo futebol clube

Quanto ao escudo do time, em minha opinião o que faltou foi um teste: quanto mais molhada a camisa ficou, mais borrado o logo ficou. Foi coerente ele seguir com o filtro vermelho seguindo o conceito da campanha.

Por fim, já vi várias montagens de torcedores com camisas totalmente vermelhas que ficariam realmente “bonitas”. Por exemplo, bastaria remover as faixas horizontais da camisa e manter todos os logos em suas cores e aspectos originais, o que esteticamente falando seria bem interessante. Conceitualmente falando, não: seria só uma camisa comum de cor diferente. A ideia da campanha é justamente deixar tudo vermelho.

Vale ver a camisa mais de perto: ao contrário do que foi visto pelas câmeras do estádio, com interferência da iluminação local e do suor dos jogadores, ela não chega a ser tudo isso o que estão falando.

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Daniel Perrone, do Blog do Torcedor

Conceito ou estética?

Como eu disse, o foco da ação promovida pelo SPFC era deixar tudo vermelho justamente porque agora todas as arquibancadas do estádio são dessa cor. Então, o filtro vermelho fez muito mais sentido do que uma camisa vermelha comum.

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Agora, o impacto negativo visto nas redes sociais coloca a questão do conceito x estética em evidência. Nesse caso, levando em consideração o público que acompanha futebol (que é de todas as idades, classes sociais e tudo mais – ou seja, não é exclusivamente um público que vai absorver bem uma ação conceitual, principalmente de um time que nunca jogou com um uniforme diferente em campo), valeria mais a pena investir em um uniforme com mais ênfase à estética?

Na minha opinião, sim. A ação não perderia totalmente seu conceito (afinal, o uniforme seria totalmente vermelho – só teria logos e tipografia em cores diferentes), e a aceitação do público seria muito mais positiva. A Penalty, nova patrocinadora de materiais esportivos do time, já entrou com maus olhos por parte da torcida, que queria ver marcas como Adidas patrocinando o clube e considera a patrocinadora atual muito “fraca” para um time do tamanho do São Paulo. Na estreia do novo uniforme do time, a recepção também não foi muito boa. Ou seja, a meu ver o caminho a ser seguido deveria ter sido o mais fácil: uma camisa “bonita” ao invés de uma camisa “diferente”.

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O fato é que a gente vive enfrentando situações semelhantes no meio publicitário: deixar uma ideia muito boa de lado pra seguir o caminho mais seguro porque o público ainda não estava preparado pra essa nova ideia. Até que aparece um concorrente, arrisca e, em boa parte das vezes, não se sai bem, mas abre uma porta para o mercado investir em soluções para aquela ideia e apresentar inovações que trarão boas repercussões. É claro, algumas vezes o concorrente acerta de primeira e fica um bom tempo no topo até os concorrentes conseguirem alcançá-lo, mas dificilmente uma empresa arrisca investir em mudanças. Felizmente isso vem mudando.

Um exemplo bem atual de inovação foi o iPhone. Sem querer causar intrigas mas já causando, veja seu principal concorrente, o Android: só conseguiu alcançar a qualidade do sistema operacional da Apple, o iOS, agora. E, ainda assim, o que mais se vê é a Apple apresentando alguma novidade todo ano e o Android, logo em seguida, apresentando as mesmas novidades com algumas diferenças básicas (como a Samsung com smartphones com telas de tamanhos diferentes e configurações mais potentes). Quem perde com isso é o consumidor, que vê dois produtos exatamente iguais na prateleira.

Quem arrisca dar a cara a tapa – ou seja, arriscar – merece respeito, por mais que receba um feedback negativo pela ideia lançada. Mas, ainda assim, nesse caso em específico, eu teria lançado uma camisa vermelha “comum”.

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(créditos: Vipcomm)