Site grátis na parceria, em troca de divulgação, visibilidade, permuta… funciona?

Quer um site de graça? Saiba mais sobre o processo de trabalho na elaboração de um site grátis e entenda os problemas que isso poderá causar. Parceria tem que ser boa pros dois lados!

Quando se é web designer e desenvolvedor, uma coisa é certa: alguém vai pedir a criação de um site grátis. Normalmente prometendo algo em troca.

Aliás, em qualquer profissão é bem comum receber pedidos de “cortesias”, principalmente com alguma permuta “em troca” ou a promessa de uma “parceria”, que vai desde a indicação a outros clientes que paguem pelos serviços até a famosa frase “você vai ganhar muita visibilidade”.

Sejamos honestos? Por mais que essas promessas sejam feitas na melhor das intenções, o objetivo de uma parceria é trazer benefícios equivalentes para ambos os lados. Sendo assim, não faz o menor sentido chamar de “parceria” quando uma das partes não está recebendo nada em troca senão promessas, esperanças.

Meu objetivo aqui não é, nem de longe, esculachar quem pede por serviços de graça. É ver os dois lados, fazendo uma troca de posições entre o contratado e o contratante, levantando a dúvida: Até quando trabalhar de graça é vantajoso?

Ou, melhor: Até quando receber um serviço gratuito é vantajoso? Afinal, certamente um serviço gratuito não terá a mesma qualidade de um pago — e isso não é por mal.

Ah, e se você está procurando por um site grátis, o melhor que eu posso te sugerir é um template pronto. Dá uma lida no link para saber mais!

O que significa “parceria”?

parceria
Aquele puxãozinho pra cima… (foto: Corbis)

Pra ser bastante preciso, recorri ao Michaelis:

parceria
par.ce.ri.a
sf (parceiro+ia1) 1 Reunião de pessoas por interesse comum; sociedade, companhia. 2 Sociedade comercial, em que os sócios ou parceiros só são responsáveis pelo quinhão com que entraram.

Ou seja, uma parceria visa interesses em comum. Vejamos um exemplo prático:

Minha profissão é criação de sites. O principal foco de um profissional em todas as profissões é o mesmo: sobreviver. É trabalhando que eu pago minhas contas, sendo que essas contas são fruto do meu estilo de vida e de minhas necessidades. E quanto mais eu ganho, mais confortável minha vida é.

Vamos supor que você precise de um site para sua empresa, visando aumentar sua carteira de clientes, atender a um público maior, oferecer novos serviços etc. Sim, no fundo você está querendo sobreviver: o crescimento da sua empresa significa uma vida mais confortável para você, para sua família.

Vamos mais fundo: Sua empresa vende relógios. Relógios caros, para publico A+ — tanto que a média de vendas mensal é de 4 relógios, o que é o bastante para bancar todos os gastos da empresa com funcionários, novos estoques, publicidade etc. e ainda te permite ter uma vida bastante confortável.

Mas ainda não é o bastante; é preciso aumentar os lucros, até porque você está interessado em montar novas lojas e vender outros produtos. Porém, algo inesperado acontece: Você vai precisar fechar a loja durante três semanas por conta de uma reforma emergencial.

Ou seja, nesse mês o lucro será zero, e provavelmente o lucro dos próximos quatro meses será responsável por pagar o prejuízo dessas três semanas e da reforma emergencial (afinal, durante quatro meses você tem outras contas para pagar).

Mas você não fica desanimado, porque a reforma traz uma esperança — e, veja bem, é apenas uma esperança, e não fato: você poderá passar a vender 6, 7 relógios por mês. Pelos valores, é um aumento considerável.

Mas é só uma esperança — não há nada certo, nenhum estudo que oficialize os números: a fachada da loja vai estar mais moderna, isso poderá atrair mais clientes. Se você terá esse aumento nas vendas, só o tempo dirá.

Meio vago esse exemplo, né?! Que tipo de empresa investe assim, sem ter um estudo, um planejamento pra saber se o investimento valerá mesmo a pena?

Então…

E se fosse um site grátis?

relógio de pulso
Hora de inverter os papéis! (foto: Corbis)

Agora vamos supor que você faz criação de sites, e um cliente te pede um site grátis dizendo que no momento não há verba para tal serviço, mas que, em troca, você será fortemente indicado por ele para amigos e clientes que precisam de um serviço semelhante.

Isso te lembra algo? Coincidentemente, é uma promessa semelhante à de vender 2 ou 3 relógios a mais por mês, e ao olhar o potencial da empresa e o nível dos amigos e clientes que a mesma deve ter, você logo topa.

Após definir o escopo do projeto, você estima que precisará de três semanas para fazer todo o serviço. Notou mais alguma semelhança?

Pois bem: são três semanas de trabalho não remunerado em troca de uma promessa, uma esperança. Por mais que a promessa seja de boa vontade, não é certo que aquele prejuízo de três semanas será recuperado algum dia — muito menos de que você terá dinheiro para as contas no mês seguintes, afinal, na vida de um freelancer, três semanas podem custar MUITO caro.

Esse mercado é extremamente concorrido, e o fato de você ter feito o serviço de graça para alguém que tem bons contatos não significa que esses contatos não irão procurar por um valor abaixo do seu no mercado.

E se eles ficarem sabendo que o serviço que você fez foi de graça, certamente a promessa acima se repetirá, ou então pedidos desenfreados de descontos serão feitos. Logo, o site grátis pode sair caro… para quem o fez.

Quebra esse galho, a empresa ainda está em crescimento!

Mas qual é o meu ponto, afinal?!

Colocando os pensamentos em ordem, vejo a seguinte situação: Com um site, a empresa terá um ótimo ganho, em vários aspectos. Listarei alguns abaixo:

  • A empresa terá presença na internet, o que significa que ela será encontrada por qualquer um, a qualquer momento — se eu preciso encontrar alguma coisa agora, eu não preciso estar em casa para procurar em meu computador, bastando sacar o smartphone do bolso e fazer uma pesquisa em qualquer lugar que eu esteja;
  • Os clientes ficarão mais satisfeitos, porque um site traz facilidades como meios de contato, catálogos, endereços etc;
  • Você poderá vender seus produtos online para o país ou até mesmo para o mundo inteiro, aumentando seus números de uma forma que jamais imaginou. Temos exemplos como a Amazon, que é uma das lojas online mais bem sucedidas do mundo, e funciona exclusivamente online;
  • Se o site foi bem feito e conceitual, a empresa elevará seu valor cultural.

E o site grátis saiu caro… para quem o fez!

site grátis
Se você ganha um site grátis, o que o prestador de serviço ganha? (foto: Corbis)

Resumindo: Se seu objetivo é crescer, um site feito por um profissional vai trazer esse crescimento. Até então você nunca deixou de investir visando o crescimento, pois você tem em mente de que, quando você investe em crescimento, o investimento voltará para o seu bolso como consequência do… crescimento!

Esse parágrafo ficou bem repetitivo, mas acho que não tinha uma forma melhor de explicar.

Já quem criou o site, perdeu o faturamento de três semanas. E mesmo que o empresário arrume clientes para ele, várias noites de sono precisarão ser perdidas para recuperar essas três semanas de trabalho não-remunerado, já que além desse período o profissional precisará trabalhar mais três semanas que normalmente trabalharia aquele mês.

Daí eu olho a definição de parceria ali no começo do post e penso: Uma parceria não deveria ser benéfica para todos os envolvidos?

E você, como acha que seria a parceria ideal?

Não é permitida a reprodução integral desse conteúdo. A cópia pode ser ruim para você!

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Comentários

4 comentários até o momento

  • Texto muito bom

    Responder
    • Valeu, Dennis! :D

      Responder
  • Acho o seguinte: se não tem valor para o cliente, não é o profissional quem deve se desgastar.

    Responder
    • Pra mim tudo isso não passa de falta de orientação. Eu busco orientar, mas é fato que muitas vezes o prospect não quer aprender. Aí não tem jeito!

      Responder

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